Ler, por quê?

Sabedores de que a plena participação do ser humano como cidadão, dentro de uma sociedade letrada, acontece pelo domínio da linguagem e da língua e que é pela diversidade de gêneros textuais que o discurso se realiza, vamos focalizar, aqui, a função da escola e do ensino das práticas discursivas na e para a contemporaneidade, pois educamos no contexto de um novo século, com demandas diferenciadas e que se alteram em um dinamismo irrefreável, frutos das transformações e dos avanços em uma sociedade em constante mudança.

À educação não cabe apenas repassar ou transmitir conhecimentos, mas favorecer a formação humana, desenvolvendo as potencialidades dos sujeitos, por meio de uma aprendizagem que conduza os alunos a aprenderem a pensar e aprimorarem habilidades que lhes permitam alcançar sucesso diante das dificuldades que ora se apresentam.

Desejamos formar um leitor autônomo, capaz de se conduzir no texto, construindo seu conhecimento pessoal numa recriação crítica do que leu. Nosso objetivo é fazer com que o aluno leia na escola e continue lendo ao sair dela.

Pelo exposto, é preciso enfatizar que a leitura, assim como outras situações da vida, se dá através de etapas: primeiro, a criança ouve histórias e poemas para depois ler, sozinha, “suas histórias”.

O período correspondente à alfabetização é fundamental para o avanço das crianças quanto à questão da leitura. É primordial que as dificuldades concernentes à decifração do código escrito como a silabação  e leitura de palavras não suplantem a magia e o encanto que devem acompanhar esse leitor por toda a vida.

Nesse período, os pais precisam dedicar mais tempo ao filho, para se inteirarem dos interesses dele e poder levá-los em consideração, brincando e lendo com o filho, comprando livros para ele. Embora esse apoio seja imprescindível à formação do pequeno leitor, é importante sermos cuidadosos, para não transformarmos nossa ansiedade em impedimento a que nossos filhos, principalmente, na fase da Alfabetização, entrem no mundo da leitura e por esse mundo se encantem.

A experiência é própria. Sempre acreditei que meu filho deveria ser alfabetizado a partir da primeira série. Até o ano passado, não me ative em ensiná-lo a ler e escrever fora das propostas apresentadas pela escola. No primeiro bimestre deste ano, assustei-me ao vê-lo, entre poucos da turma, que não conseguiam decifrar o código escrito. Quase pânico: deveria tê-lo feito alfabetizado ainda no pré? Errei? Falhei? Quantas dúvidas. No entanto, em constante diálogo com a professora dele, pude perceber que o processo da decodificação estava acontecendo. Hoje, ele já lê, dentro do contexto – 1ª série – minhas apreensões, em grande parte, se desfizeram. Voltei à certeza de que o leitor está sempre em formação, a leitura se desenvolve através da própria leitura, o leitor avança no sentido da descoberta de novos modos de ver o mundo e com ele interagir.

Para criar um público aficcionado por poesia é preciso educar-lhe a sensibilidade, desde a infância, pois ninguém morre por não conhecer as histórias de Monteiro Lobato, os poemas de José Paulo Paes, Cecília Meireles, Carlos Drummond de Andrade, Roseana Murray e tantos outros.

Porém, os que com eles travaram um diálogo, através da leitura, serão imensuravelmente mais sensíveis e humanos.

Maria da Penha Ferreira de Assis
Professora de Língua Portuguesa

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